• Revista Sphera

Onze poemas de Fabrício Marques

Atualizado: 14 de set. de 2021

Associação Brasileira de versos circunstantes


O sintoma não a causa


O poema gerou

a presença exculpatória

do orquidário, que gerou

as manobras no recôncavo

e os tentames todos. Daí

veio o apetite

por tamarindo, que gerou

a incerteza

das commodities. Esta

gerou o dia

sem partilha,

do qual nasceu algum

olhar cansado, e vidas

de segunda mão.



Rude país

(Apud Cláudio Manuel da Costa, rozzo paese)


Naquele ponto

A seca

fez baixar

do rio

o nível

e revelou

um corpo

vivo

feito

Lázaro



A boa e a má notícia 1


A boa notícia

é que estamos a salvo.

A má notícia

é que estamos a salvo.



Pela fresta


Ninguém segue

um coração

irrastreável



Anuência


Lá em cima

O sol

Aquecendo

Aquiesce

Ao que sou

Aqui sendo



A dinastia das sombras


em minha ausência

recebo notícias

de como comportou-se

minha ausência



Bilhete na geladeira


F. você não vale nada seu corno

de novo atrasado te odeio te odeio te odeio.


PS - O canelone está no forno.



A boa e a má notícia 2


A boa notícia

é que só nós restamos.

A má notícia

é que só nós restamos.



Gente é pra brilhar


vamos fulgir



Nova concepção da arte


Ontem obra

Hoje oba


Sonhar


já foi algo grandioso


E continua sendo



Fabrício Marques

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