• Revista Sphera

Cinco poemas de Osvaldo André de Mello

Atualizado: 14 de set. de 2021

Poema


A cor da flor de romã, ãmor no exíguo quintal.


“Alegria geométrica” posso te saquear, Emily Dickinson?


A cor estremece o contemplador.

A flor também.


Ao longe a flor é cor. Na carruagem verde cobra serpenteia.


Serpenteia a alma da flor aderida à cor.


Ajoelhou, agora, olhou, orou — Deus

!





A Groelândia,


A rosa branca imperturbável,

agora

vê desprender-se do núcleo estável (?)

a pétala que mergulha na impermanência


e imperceptivelmente

se dissolve pelas costas.


As rápidas transformações climáticas

perturbaram...


Anteriormente, em 2019, 530 bilhões de toneladas de gelo: a rosa branca perturbada

derreteu e escorreu das geleiras

suficientemente elevando

o nível do mar em 1,5 mm


É como dizem alguns:

Iemanjá tomará o Aterro do Flamengo a Dama do Mar.




A via


Passa, passa a tua língua

No céu da minha boca.


Passagem do êxtase mundano

Para a vida espiritual.




Bola de Nieve


Na obra “Yo soy la canción misma”

em dicção cristal e sinos claros

ou em dobres como um tambor negro

ou percussão de reis

Bola de Nieve pesca nas águas do mar piscoso

de Cuba

tesouros d’África e d’España.


Navega assim em ritmos diversos

que lhe são caros

QUE LHE SÃO assim la canción misma.

O corpo mambeiro escuta

atravessa a audição discretamente enlouquecido

no jogo de ombros no molejo dos quadris

no amálgama de ritmos latinos.




Marrocos


O cuspe do Louco é benção —

deixai que vos cuspa.


As palavras do louco

são palavras compassivas —

ouças para ouvi-las.


Vem o Louco de sua mesquita branca

que se apequena e desaparece no deserto.


A túnica pesada de pó, caminha.

A boca seca sem cansaço.


O Louco abre os braços e vislumbra o infinito.


O Louco ajoelha e se prostra e beija a terra.

E nunca mais se ergue.



Osvaldo André de Mello

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