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Quatro poemas de Sidneia Simões

Atualizado: 14 de set. de 2021

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Pronta pra morrer,

assim, já posso viver.

Sem apego, nem desapreço,

tudo na medida que é,

no ponto do instante -

não menos, nem além,

nada exato, matemático.

A vida em fogo... brando?

Olhai os lírios e os campos!

Contemplai réus e santos!

Todo juiz tem seu manto,

tudo flui em jogo manco,

em canto, pranto e espanto.

Há quem chega num piscar,

outros tardam o alcançar.

- Se há saída? Só navegar!



(Des)ilusão


Ficou à espreita

de algum fato,

algo inusitado,

sonho encantado.


Restou estreita...

ausente, renitente,

ignorou presente,

tempo premente.


A vida, um vão.

Querendo longe,

perdeu o bonde,

sem nunca ter tido

o que estava à mão.



Gosto de infância


A infância me veio à boca,

doce e amarela, em linhas,

uma, duas, várias vezes.

Tem caroço

e nem quero moço;

só o pé de manga

e, de galho em galho,

pisa aqui, segura ali

até o mais alto,

onde só chega

quem não subiu no salto.



Um dia qualquer


Um dia pachorrento

Motivo algum para nada

Nem tristeza ou alegria

Mas o dia me amassa

Sova, sova e não passa

Pergunto às cartas:

cavalo branco e cavalo preto

puxam o carro - direções opostas

Eu, sem Ares, me divido ao meio

Rasgada de cima a baixo

Se Afrodite me soprar

pode haver algum alívio

Paciência

É só uma quarta-feira de fevereiro de um ano sinistro

Eu me remoo

Por não saber de mim

Por me amargar

Mas sei esperar



Sidneia Simões

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