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Quatro improvisos rosianos de Aguinaldo Gonçalves



Primeiro


O longe para Minas representa o perto-distante para Minas.

Não conhecer Minas é conhecer Minas, com uma sensação de eterna forma de ser Minas.

Separar sequelas de Minas é ler um poema e roubar uma palavra mesmo que seja Minas



Segundo


Entre espelhos reconheço a imagem de uma Minas antiga e descubro a silhueta de um olhar de Soslaio diante de uma escultura antiga de bronze.

No meio do jardim com fome de uma lua branca rumino o seco caminhar das sombras perdidas pela madrugada.

Abaixo a cabeça e mastigo o nada nessas terras de Minas.



Terceiro


Da frincha do bosque do renque das árvores espessas de verdura tensa emergem os trechos das passadas de Édipo que caminha ao longe sem ver as verdes campinas, mas sentindo saudades de Jocasta. Ao longe a palavra traz para bem perto trechos de Minas nessa obsessiva forma do olhar vazio de Édipo que se arrepende por caminhar entre os ladrilhos que no futuro enfeitariam as ruelas do poema de Dante no meio da teimosia de Beatriz nas estradas de Minas de sol morno e ramagem densas.



Quarto


O arvoredo de Guimarães Rosa nas veredas de Chico Lopes foi criado longe de Minas e enviado para João Pessoa na Paraíba.

O espírito de Guimarães entardeceu no meu peito e se ampliou num doído e sofrido encanto de meu coração para nunca mais eu me esquecer desta pintura formato triste mas colorida como é colorida a vida sentida entre cipós forma de não ver para enfraquecer as ilusões perdidas.

Enaltecido na matéria verde de meu querer.

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