• Revista Sphera

Três poemas de Sâmella Almeida

Atualizado: 14 de set. de 2021


Sâmella Almeida



A ínfima nota do desprezo

não disfarce eu reconheço

cheira a fel sabor verniz


A ínfima nota do desprezo

eu escuto e não mereço

não engulo gosto atroz


Minúsculo inseto percevejo

agarrado na garganta

no seu timbre e tom voraz


No ritmo o ciclo ininterrupto

a risca segues o estatuto

te achas superior a nós?




um movimento de cabeça sequer


Não acene para mim, suas mãos

estão cheias de sangue

Não me dirija a boca pútrida

dela saem as larvas que estão comendo nossa carne

Não sorria para mim, seus dentes

esganiçados estúpidos fazendo gracejos


Que a morte me salte o pescoço e me ataque, ainda assim

prefiro ver-te afundando lentamente

sufocado

como àqueles que matastes





Poema doméstico


Limpar a casa, os livros

Desentortar os quadros, lavar a louça

Tirar a lama o mofo o pútrido

Cuidar das plantas

O pó da estante, o mal cheiro, o encardido

Finada a escrita, tratar do espaço

vazio

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