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Sete poemas do angolano Lopito Feijó




ENFIM O DESCANSO

Era letal o metal

tal e qual

a relação conjugal

reconhecida fatal.

Por acaso

avermelhado e colérico o ocaso


facturou no descaso

e agora o descanso.




NAQUELA LEDA MADRUGADA

Infinito e traiçoeiro

feito notícia em companhia e limitada invadiste meu quarto também via watsapp. Quiseste conosco pernoitar e como mandam as regras do sonho no sono volátil, intenso e denso assim o fizeste rabiscando com a ponta dos dedos. As aquáticas paredes do nosso lunático universo sem sul sem norte e disperso com alguma pouca sorte e algum deslumbrado desnorte dos confrades ainda incrédulos.




SEGREDO

Iluminada ideia

do corpo volátil assombrada aldeia na veia de um rio. Uma viagem de férias em sentido contrário ou a sentinela à janela com tara de agrário. Um peso pesado pensando passados de Havana ao Sequele deixando sequelas. Na vida das manas (nuestras levianas) todas as semanas mesmo que sacanas!




ODE A UM HOMEM RIO

A fluvialidade do rio que foste

com corrente, nascente e poente

[emblematizando-se!] inspira-nos. Agiganta-se nos serpenteados

afluentes de uma África

em todos os momentos, viral. Observada com os dedos

ou mesmo com os aguçados

dentes da nossa sinistralidade. Um homem rio que aqui passou passa e perpassa reafirmando a reparação da nossa, magistral e transcendente ancestralidade.




IMPERFEITOS

Desvendamos

os segredos das cores das cobras e dos actos dos ratos Numa noite de lua cheia estando nós à beira do lago Nquissykeia por baixo da secular robustez de imaginária mas valente calabaceira. Deslindamos na cova do cemitério a escova da tua alma coloridas cobras e raros ratos.




DESTINO DUM RAIO

O canto dos pássaros estranhos

chamaram-me sempre a atenção

um pássaro estranho num canto

de repente relâmpagos e trovões!




HISTÓRIA

Recostados ao tronco

de uma velha mafumeira

na aldeia observamos

a profundidade do coro

das aves circulantes. A tonalidade é deslizante intrigante e sugestiva é inspiradora e retumbante apressada não perde tempo sendo gigante e parabólica. Conferimos as boas-novas

dos irriquietos pássaros voando

em torno da quase seca

mafumeira ancestral

repouso de impunes abutres.

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