• Revista Sphera

Sofia Vivo traduz poemas de Luís Turiba

Atualizado: 10 de nov. de 2021


Sonámbulo


despertar de madugada

y leer poemas

es uno de los dulces delitos

de los cuales disfruto

pues en ellos mi ser navego

impoluto

en la más absoluta

anti escena.


el plano de cine

donde me encuadro

es pobre pero posee

un cierto refinamiento

entre serpentinas

camareras y guríes

un leopardo chiflado

iluminado

desfila brioso

sin cobrar flete.


todo en esa película

es un poco esdrújulo

& y el poeta sonámbulo

un sin escrúpulo.



Sonâmbulo


acordar de madrugada

e ler poemas

é um dos doces delitos

do qual desfruto

pois neles me navego

impoluto

nesta mais absoluta

contracena


o plano do cinema

onde me enquadro

é pobre mas possui

certo requinte

entre serpentinas

garçonetes e pivetes

um aloprado leopardo

em candelabro

desfila sua verve

sem cobrar frete


tudo nesse filme é

meio esdrúxulo

& o sonâmbulo poeta

é um sem-escrúpulo



Livro Se Virem Terráqueos



Hablando claro


armarse

no es

amarse

es matarse

a pesar

que de amor

también

se muera

también

se mate

pues el amor

es arma secreta

del vivir

sin

dividir

del donar

sin dolor

al ofrendar

la otra

cara

la que da

margen

a quien

quiera

armarse

con la más

letal

de las armas :

el desamor.



Papo reto


armar-se

não é

amar-se

é matar-se

embora

de amor

também

se morra

também

se mate

pois o amor

é arma

secreta

do viver-se

sem

dividir-se

do doar-se

sem dor

ao ofertar

a outra

face

o que dá

margem

a quem

deseja

armar-se

com a mais

mortal

das armas:

o desamor




Despertarse otro


demoras en abrir los ojos

cada nueva mañana

por desconocimiento

miedo o paranoia.


sondeas al talismán:

para qué días lúcidos

otoños luminosos y bellos

con esa tenebrosa luz solar

cegando nuestro despertar?


miras al universo ,

le susurras a nadie :sobreviví !

a más una oscuridad desesperada

a más un día oliendo cadáveres en la tele

a más , a más - a menos

quién dió el primer tiro en esa guerra sin armas

la invasión es invisible

golpea en el pulso

la mecha arde a fuego lento

acelerar es suicidio

la tierra continúa anestesiada

las luces verdes se apagan

dosis homeopáticas , morfina en las venas

la Gira de la ciencia pide permiso

el virus , la ira , la bacteria

todos atrás de su vacuna

ya nadie más titubea


Dios está de vacaciones

- ingéniense ...terrícolas !



Um acordar outro


demoras a abrir os olhos

a cada nova manhã

por desconhecimento

medo ou paranoia


indagas ao talismã:

pra que tão lúcidos dias,

lindos luminosos outonais

com esse tenebroso farol solar

a cegar nosso acordar?


miras o universo,

sussurras para ninguém: sobrevivi!

a mais uma desesperada escuridão

a mais um dia cheirando a cadáveres na TV

a mais, a mais – a menos

quem deu o primeiro tiro nessa batalha desarmada

a invasão é invisível

mexe na pulsação

a queima lenta do pavio

acelerar é suicídio

a terra segue anestesiada

sinais verdes se apagam

doses homeopáticas, morfina na veia

a gira da ciência pede passagem

o vírus, a ira, a bactéria

tudo atrás da sua vacina

ninguém mais vacila


Deus está de férias

- se virem... terráqueos!



Arquivo da Funai



Mirar Ianomâmi


El Ianomâmi trae consigo

en su mirada de ser digno

el misterio de la verde hierba

viento que viene de la selva.


un Ianomâmi tiene el foco

fijo no extraviado, una luz

travestida de fluido y paz

te mira sonriendo: sabe lo que hace.


el Ianomâmi es un ser divino

humano de dibujos gráficos

en cuerpo alma ríos bosques

caminante de pies descalzos .


lo que ofende en el Ianomâmi

es su mirar dulce y frío

nada para dar, todo a imaginar

ni muy feliz ni vana tristeza.


faroles de una floresta densa

brillan como luminarias sus ojos

los Ianomâmis no son leyendas

son hermanos...familiares.


hay algo muy turbio

en la invasión exploradora

contaminación de mercurio

contrabando de madera.


cómo es posible que un pueblo

tan bello e integrado a la selva

viva en la desazón de

muertes irrupciones flagelos.


los defiendo con mi flecha

la fuerza del puño en mi tinta

en las notas de mi instrumento

canto y grito:Ianomâmi es vida.



Olhar Ianomâmi


o ianomâmi trás consigo

em seu olhar de ser digno

o mistério da verde relva

do vento que vem da selva


um ianomâmi tem o foco

fixo não perdido, uma luz

travestida de fluxo e paz

te olha rindo: sabe o que faz


o ianomâmi é um ser divino

humano de desenhos gráficos

de corpo alma rios matas

andarilho de pés descalços


o que ofende no ianomâmi

é seu olhar doce em frieza

nada a dar, tudo a imaginar

nem tão feliz nem vã tristeza


faróis de uma floresta densa

brilham olhos luminares

ianomâmis não são lendas

são irmãos..., familiares


há algo de muito espúrio

na invasão garimpeira

contaminação de mercúrio

contrabando de madeira


como é possível um povo

tão integrado à selva e belo

viver no desassossego de

mortes invasões flagelos


defendo-os com minha flecha

força do punho em minha tinta

nos acordes do meu instrumento

canto e grito: ianomâmi é vida

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