• Revista Sphera

Dois poemas de Tânia Lima

Atualizado: 21 de out. de 2021


Tânia Lima



Lucidez


Usei os anéis de Saturno

Dancei com MinotaurO

Dialoguei com Zeus

Acordei Pandora

Roubei os segredos de Prometeu

Fugi de Pasárgada

Mercúrio levou-me ao Hades

Vi Hitler queimando nas trevas

Vi burgos sendo explorados

Vi militares sendo torturados

Atravessei o mar tenebroso

Salvei Galileu Galilei da fogueira

Filosofei com Hipátia

Microfilmei os salvados da Alexandria

Queimei dinheiro em praça pública

Explodi a bomba atômica

Nos pátios imperialistas

Lá do alto no Morro dos Ventos Uivantes

Cantei para o Fantasma da Ópera

Pintei a orelha de Van Gogh

Guardei os mendigos da sarjeta

Saciei a Via Tramontana

Sequei a Baía da Guanabara

Fechei os braços do Cristo Redentor

Sintonizei Da Vinci nas galáxias superiores,

analisamos os erros da torre de Pisa

Voltaire interveio nas vibrações

Juntos analisamos a metafísica duvidosa

e por fim entendemos as tristezas de Cristo

no Getsêmani…



Da morte primeira


Imagino o primeiro homem que morreu no mundo... O que estava ao lado ficou atônito. Tentou acordar e nada... A morte do primeiro ser inaugurou a eternidade. Pela primeira vez o menor dos seres disse: meu Zeus. O vazio apareceu sem esperança e uma sobra de vento em silêncio murmurou: adeus.

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