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Como ocupo o corpo negro

Atualizado: 30 de dez. de 2022

Fausto Antonio


Carlindo Fausto Antonio. Foto: Joao Almeida.



l

Como ocupo o corpo com a língua,

Ocupo a boca antiga e, o verso,

dele derramado, enlaça em brasa

linguagem em relevo no inverso.


Como ocupa a imensidão do labirinto,

poesia como fogo que ocupa o corpo,

ocupo o corpo com o limbo,

como a escura lábia ocupa o útero.


Como ocupo o útero com o verso,

Como ocupo o corpo com o poema,

ocupa o inverso da rima no reverso.


Como ocupo o corpo com a poesia,

a poesia ocupa o poema em verso,

como o ritmo ocupa o poema no espaço.



ll

Como ocupo o corpo negro,

Não deixo branco no texto,

Nem o bronco branco vazio,

Como ocupo o corpo negro.


Como negro ocupo o branco,

Como negro ocupa o corpo.

Como negro ocupo o negro;

Ocupo, como ocupa o negro,


o branco como o corpo negro

ocupa o negro, como negro,

o negro ocupa o corpo negro,


como o samba ocupa o corpo,

o negro ocupa o negro e, o negro,

como negro, ocupa o branco.


lll

Como ocupo o corpo negro,

a imagem enlaça

linguagem em brasa.


Como ocupo o corpo negro,

Imagem e imã agem em mim

como ocupo o corpo negro.


Ocupo o corpo negro,

como o beijo escuro

ocupa o amor, como ocupo

o corpo negro de amor.


Como ocupo o corpo negro,

ocupa o corpo negro,

Como ocupa o releva dor,

a linguagem do amor.



lV

Ocupo o corpo negro,

como o beijo escuro

ocupa o amor, como ocupo

O corpo negro de amor.


Como ocupo o corpo negro,

Ocupa o negro, como negro

ocupa o releva dor,

a linguagem do amor.


Como ocupo o corpo negro,

Culta imagem enlaça o negro

Como oculta linguagem em brasa.


Como ocupo o corpo negro,

Imagem e imã agem em mim,

como ocupo o corpo negro.



Como ocupo o corpo negro com a Alma assomada


V

A Alma ocupa a carne,

sangue que na boca arde,

fogo de noites sem manhãs,

manhãs sem tardes calmas.


A Alma , precipícios de feitos,

ocupa a boca dos tempos

sem fim; o eterno, no hálito

que gera o espírito e o corpo.


Na presença do espirito assomado,

na ausência do corpo, o rosto,

envolto num outro corpo, assomada


Alma, voz antiga de tantas vidas,

ouve a voz do nascido de si mesmo,

que ouviu a voz antiga e assomada.

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