• Revista Sphera

Cinco poemas de Aroldo Pereira

Atualizado: 21 de out. de 2021

A Editora Patuá publicará brevemente o novo livro de Aroldo Pereira, que tem o título de Parangolares, um aprofundamento do seu diálogo com Hélio Oiticica com uma inflexão agora a abarcar Raymundo Collares, artista plástico do Norte de Minas vinculado ao horizonte inventivo do criador do “parangolé”. O poeta é conhecido por coordenar o Festival de Arte Contemporânea Psiu Poético, que acontece em Montes Claros (MG) anualmente desde 1987, um dos eventos mais longevos no seu gênero no país. Sua carreira teve início nos anos 1970 na fronteira da poesia impressa com o rock and roll, atuando como letrista e vocalista da Banda Ataq Cardíaco. Publicou Canto de encantar serpente (1980) e vários outros livretos em edições artesanais e chegou ao livro formal com Cinema Bumerangue em 1997 pela Edições Cuatiara de BH. Dez anos depois, em 2007, publicou Parangolivro pela 7Letras. Seus versos estão presentes em várias antologias da produção contemporânea, como Literatura e Afrodescendência no Brasil, organizada por Eduardo de Assis Duarte e publicada pela Editora UFMG em 2011.


Anelito de Oliveira



Aroldo Pereira



chapisco


os meninos

deserdados do morro

os meninos sem pedigree

de grão-mogol

os meninos negros

de montes claros

os meninos meninas

do brasil

os meninos pobres

do mundo

são expulsos do morar

mataram o chapisco

q. quis me namorar




Quase urgência


a novelha vida me desgasta

nesse corpo

me consome nessa estrada

da palavra e da paixão

viver é redemoinho

repleto de vício e tensão

ainda q. eu não saiba

viver na corda bamba

tem sido minha distração



como quem troca de alma


uma notícia dessas

q. nos arrebenta

q. eriça nosso pelo

q. ninguém aguenta

uma notícia dor

uma notícia câncer

uma bomba explodindo

em pleno esplendor




amor


é difícil dizer não

e ir pro cinema

deixar o coração

na praça da matriz

e suicidar na igreja

prefiro roubar 01 galho

de jasmim

e deixar na porta

da tua casa

prefiro te incomodar

com a minha flor

que quebrar o celular

e sair sangrando

sem ar

pela cidade




empregado do povo


se o mundo

não fosse comandado

por babacas

talvez eu fosse poeta

01 sonhador anarquista

01 delirante cantor

propondo revoluções

mas os rumos

q. o mundo toma

não nos permitem

delírios, amores, invenções,

no muito, alguns escorregões

assim sigo de plantão

batendo ponto e carimbo

como 01 barnabé cagão

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