• Revista Sphera

Quatro poemas de Armando Freitas Filho

Atualizado: 14 de set. de 2021

Folheto

Oito mais um nove.

Noves fora zero. Será?

Ou ainda pinto o sete?

Poderei ver o nosso

caminho limpo sem governos

sujos, criminosos, passeando?

Deixando marcas aqui e ali

nas árvores serradas

nas matas mortas?

E os índios cada vez mais

ínfimos nas palmas

menores dos seus espaços?

E os vírus variados

vagueando ponto por ponto

vivendo sem fim?



Encontrado num caderno

para Laura Liuzzi

A possível poesia

é esta como outras.

Às vezes, alfinetam

outras tantas afagam

podendo até misturarem.

Enfrenta o sol, a chuva

o dia e a noite, se conjugam

em cada linha disponível.

O que foi rabisco, risco

na folha branca, o rascunho

se passa a limpo e o sentido

escreve em cima do luar.



Se...

Preto, Branco, Pardo

são seres e não cores

tampouco são raças.

Se mil Mandelas

existissem e Deuses

de toda espécie tivessem

diferenças amigáveis

e mulheres e homens iguais

no trabalho da vida

o Mundo, a Terra

giraria leve, livre

sem nenhuma Guerra ou entrave

a não ser pelo acaso da Natureza.


Rascunho


O lápis já perto

de virar um toco.

A bic vai falhando

o traço da sua letra.

Os poemas diminutos

sem fôlego de percorrer

a folha branca

e as linhas vazias

no meio do caderno

parado em cima da mesa.



Armando Freitas Filho

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